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  • Foto do escritorNatanael Gandini

A economia Brasileira em 2022: Desafios e perspectivas




A economia brasileira enfrentou um ano difícil em 2022, marcado por crises políticas, sanitárias, hídricas e energéticas. Apesar de ter registrado um crescimento de 2,9% no ano, o ritmo de recuperação foi perdendo força ao longo dos meses e chegou a ser negativo no último trimestre (-0,2%). Além disso, a inflação disparou e fechou o ano em 8%, bem acima da meta de 3,75%, corroendo o poder de compra da população e afetando principalmente os mais pobres.


Neste artigo, vamos analisar os principais fatores que influenciaram o desempenho da economia brasileira em 2022 e as expectativas para 2023.


Inflação e juros


Um dos maiores problemas enfrentados pela economia brasileira em 2022 foi a alta da inflação, que atingiu o maior patamar desde 2016. Os principais fatores que contribuíram para esse cenário foram:

  • A alta dos preços internacionais das commodities, especialmente do petróleo, que impactou os custos de produção e transporte;

  • A desvalorização do real frente ao dólar, que encareceu as importações e reduziu a competitividade das exportações;

  • A crise hídrica, que afetou a geração de energia elétrica e levou ao acionamento das bandeiras tarifárias mais caras;

  • Os choques de oferta provocados pela pandemia de covid-19, que afetaram a disponibilidade e a qualidade de alguns produtos e serviços;

  • As expectativas inflacionárias dos agentes econômicos, que incorporaram a percepção de risco fiscal e político.

Para tentar conter a inflação e ancorar as expectativas, o Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) de 2% ao para 13,75% ao ano em 2023, o maior nível desde 2016. Essa medida teve como consequência o aumento do custo do crédito e a redução do estímulo ao consumo e ao investimento.


Crescimento econômico


O crescimento econômico brasileiro em 2022 foi heterogêneo entre os setores e as regiões. De acordo com o IBGE, os setores que mais contribuíram para o PIB foram:

  • A agropecuária, que cresceu no ano, impulsionada pela safra recorde de grãos e pelo aumento das exportações;

  • A indústria extrativa, que avançou, beneficiada pela alta dos preços do minério de ferro e do petróleo;

  • O comércio, que expandiu, refletindo a recuperação parcial do consumo das famílias após o relaxamento das medidas de distanciamento social.

Por outro lado, os setores que mais sofreram foram:

  • A construção civil, que recuou, afetada pelo aumento dos custos dos materiais e pela escassez de mão de obra qualificada;

  • Os serviços prestados às famílias, que caíram, ainda impactados pelas restrições sanitárias e pela queda da renda disponível;

  • A indústria de transformação, que ficou estável, enfrentando dificuldades para obter insumos e componentes importados.

Em relação às regiões, o Centro-Oeste foi a que mais cresceu (4%), seguido pelo Norte (3,5%), pelo Sul (3%), pelo Nordeste (2%) e pelo Sudeste (1%). Essa diferença reflete a maior participação da agropecuária nas economias do Centro-Oeste e do Norte e a maior dependência dos serviços nas economias do Sudeste e do Nordeste.


Mercado de trabalho


O mercado de trabalho brasileiro apresentou uma lenta recuperação em 2022, mas ainda não retornou aos níveis pré-pandemia. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego caiu de 13,9% no quarto trimestre de 2021 para 11% no quarto trimestre de 2022. No entanto, esse resultado foi influenciado pelo aumento da informalidade e da subocupação. A taxa de subutilização da força de trabalho (que inclui os desempregados, os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e os desalentados) ficou em 22% no final do ano passado.

Além disso, a renda média real dos trabalhadores caiu 1% em relação a 2021, afetada pela inflação elevada. O rendimento médio habitual ficou em R$ 2.599 no quarto trimestre de 2022.


Perspectivas para 2023


As perspectivas para a economia brasileira em 2023 são incertas e dependem da evolução da economia, da situação fiscal, do cenário político e do ambiente externo. Segundo o boletim Focus, os analistas esperam um crescimento do PIB de 1% neste ano. Já o FMI projeta uma expansão de 1,7%.


Entre os principais desafios para a retomada econômica estão:

  • O controle da inflação e das expectativas inflacionárias;

  • A manutenção da responsabilidade fiscal e do teto de gastos;

  • A aprovação das reformas estruturais (administrativa, tributária etc.);

  • A garantia do abastecimento energético e hídrico;

  • A aceleração da vacinação contra a covid-19;

  • A melhoria da qualidade dos serviços públicos (saúde, educação etc.);

  • A redução das desigualdades sociais e regionais.

Em suma, a economia brasileira em 2022 teve um desempenho modesto e insuficiente para recuperar as perdas provocadas pela pandemia. Para 2023, as expectativas são cautelosas e sujeitas a diversos riscos. É preciso avançar na agenda de reformas e na consolidação fiscal para garantir um crescimento sustentável e inclusivo no médio e longo prazo.


O crescimento dos investidores no Brasil em 2022 e as perspectivas para 2023



O perfil dos investidores brasileiros

  • A maioria dos investidores é da classe C (36%), seguida pela classe B (33%) e pela classe A (18%);

  • A faixa etária predominante é entre 25 e 39 anos (50%), seguida por até 24 anos (11%) e entre 40 e 59 anos (10%);

  • O gênero mais presente é o masculino (57%), seguido pelo feminino (43%);

  • A orientação sexual mais declarada é a heterossexual (88%), seguida pela homossexual (6%) e pela bissexual (4%);

  • A etnia mais identificada é a branca (48%), seguida pela parda (38%) e pela preta (11%);

  • O nível de escolaridade mais frequente é o superior completo (34%), seguido pelo médio completo (28%) e pelo superior incompleto (13%).

A pesquisa também mostra que os investidores brasileiros estão buscando diversificar seus investimentos e usar mais a tecnologia. A poupança continua sendo o produto financeiro mais utilizado pelos brasileiros (26%), mas outros produtos como fundos, títulos privados, moedas digitais e previdência privada ganharam espaço. Além disso, os aplicativos dos bancos se tornaram o principal meio utilizado para se fazer investimentos, subindo de 33% em 2021 para 43% em 2022.


Os desafios e as oportunidades para os investidores em 2023


O ano de 2023 será desafiador para os investidores brasileiros, que terão que lidar com um cenário de incertezas econômicas, políticas e sociais. Entre os principais fatores que podem afetar o mercado de capitais estão:

  • A evolução da pandemia de covid-19 e o ritmo da vacinação;

  • A situação fiscal do país e o cumprimento do teto de gastos;

  • A aprovação das reformas estruturais (administrativa, tributária etc.);

  • A garantia do abastecimento energético e hídrico;

  • O processo eleitoral e a polarização política.

Por outro lado, o ano de 2023 também pode trazer oportunidades para os investidores brasileiros, que poderão aproveitar as tendências do mercado global e local. Entre elas estão:

  • A recuperação econômica mundial e o aumento do comércio internacional;

  • A valorização das commodities e das moedas emergentes;

  • A inovação tecnológica e a digitalização dos serviços financeiros;

  • A sustentabilidade ambiental e social como critério de investimento;

  • A educação financeira e a inclusão de novos investidores.

Em suma, o crescimento dos investidores no Brasil em 2022 foi um fenômeno positivo para o desenvolvimento do mercado de capitais e para a democratização do acesso aos produtos financeiros. Para 2023, as perspectivas são cautelosas, mas também otimistas, dependendo da capacidade dos investidores de se adaptarem às mudanças e de buscarem informações qualificadas para tomarem suas decisões.

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